sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Poetas do Mato Grosso do Sul




  Nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 23 de setembro de 1957. 
  Formou-se em Direito e Letras pela FUCMT, atual Universidade Católica Dom Bosco, onde exerce o magistério (Literatura Portuguesa e Literatura Latina), desde 1987, pertencendo ao Departamento de Letras. Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. Doutoranda em Literatura Portuguesa na USP.  
 Escreveu vários livros, entre eles: ABADIA (poemas, editora Imago,1996) e CASA DE TECLA (poemas, editora Escrituras, 1999), indicados ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu ainda o infanto-juvenil, PELE DE JAMBO e o livro de ensaios, FIANDEIRA. 
 A obra de Raquel Naveira tem enorme fortuna crítica, sendo reconhecida e apreciada por escritores e críticos como Fábio Lucas, Lygia Fagundes Telles, Nelly Novaes Coelho, Antônio Houaiss, Lêdo Ivo e outros. 


CANTO DE SEREIA

Vem, meu Ulisses,
Detém teu barco,
Sou sereia sedutora,
Sirena suave
Que atrai para o abismo.

Vem, meu navegante,
Para a minha caverna,
Minha gruta secreta
Onde te devoro
E te encanto.

Vem, meu bravo,
Venceste Tróia
Com tua astúcia,
Descansa em minha ilha,
Entre penhascos negros
E precipícios de espumas.

Vem,
Sou sereia,
Cauda de peixe,
Toda vulva,
Estranho molusco
Que te descarna
E te sepulta
Nos baixios do mar.












Manoel de Barros

 Manoel de Barros foi um dos maiores poetas do Brasil contemporâneo. Vivia em Campo Grande (MS).

 Parece que o poeta serve para desacomodar as palavras. Não deixar que as palavras se viciem no mesmo contexto. Usar as palavras para ampliar o mundo há de ser outro milagre da poesia. Celebrar moscas é um exemplo de como podemos ampliar o mundo. Uma das regras importantes da poesia é não ser demonstrativa. Poesia não presta para demonstrar nada. Ela só presta para dar néctar.   MANOEL DE BARROS em entrevista "metapoética"



DESEJAR SER
 

 
Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras. Sou formado em desencontros.
A sensatez me absurda.
Os delírios verbais me terapeutam.
Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).
(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.
 Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor.
Essa antítese o acalmou.)
 
As antíteses congraçam.





















































































































Literatura no Mato Grosso do Sul

  A literatura sul-mato-grossense



























Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
 
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

No Meio Do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.


                                                                                           Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Declaração de amor

Houve um tempo em que eu acreditava em tudo. Acreditava em estrelas cadentes, destino, sorte, moedas na fonte, desejos das velinhas de aviversário e até mesmo em Papai Noel. Até que você apareceu e me fez mudar, mudou meu jeito,mudou minha forma de pensar, de agir. Me mudou completamente
 No início você era um "zé ninguém", não me fazia à menor falta. Mas isso foi mudando, e com o tempo já não conseguia mais me ver longe de você. E eu acho que isso foi a melhor coisa que já me aconteceu. 
 Com o tempo fui me aproximando tanto de você que cheguei a me esquecer do mundo, esqueci da escola, das redes sociais, dos amigos... Eu só queria ficar com você , queria te abraçar, sentir seu cheiro, rir com suas piadas mais idiotas que você insistia em me contar. 
Eu não via o tempo passar, não vi meus sentimentos mudarem, e talvez agora seja tarde de mais, mas quem sabe seja como as pessoas dizem: "Nunca é tarde para tentar". 
Eu não sei quando comecei a gostar de você. Não sei como passei a te ver com outros olhos. E muito menos o porquê desse sentimento ter surgido. Mas depois de um final de semana sem falar com você, eu me dei conta do que tinha acontecido. Me dei conta do sentimento que havia nascido. 
 Confesso que no começo eu estranhei, me pegava pensando em você até quando não queria, e ficava sempre me perguntando o porquê de ser você. Na primeira vez que te vi depois de ter me dado conta do que sentia, foi como se tivesse te vendo pela primeira vez, eu ficava pensando "O que ele tem que me atrai tanto?". 
E o teu sorriso foi a resposta para meu pensamento. Eu percebi que não é o que você tem, mas sim, o que você é. Eu percebi que o que me encantou foi teu jeito idiota de agir, tua risada escandalosa e cativante, sua simplicidade, o brilho no teu olhar, teu dom de me tirar do sério... 
 E tudo isso me fez perceber o quanto eu estava apaixonada por você.
  




Autora: Bianca Mourão 



           






quarta-feira, 8 de junho de 2016

Declaração de amor da década de 1980

“Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser – Hoje apenas algumas palavras à caneta (à tua caneta). Só amanhã os meus alugueres estarão definidos – que desperdício de tempo… Por que sinto essa tristeza profunda se é a necessidade quem manda? Pode o teu amor resistir a todo sacrifício embora não exijamos tudo um do outro? Podes tu mudar o fato de que és completamente minha e eu completamente teu? Oh Deus! Olha para as belezas da natureza e conforta o teu coração. O amor exige tudo, assim sou como tu, e tu és comigo. Mas esqueces-te tão facilmente que eu vivo por ti e por mim. Se estivéssemos completamente unidos, tu sentirias essa dor assim como eu a sinto. […] Nós provavelmente devemos nos ver em breve, entretanto, hoje eu não posso dividir contigo os pensamentos que tive nos últimos dias sobre minha própria vida – Se os nossos corações estivessem sempre juntos, eu não teria nenhum… O meu coração está cheio de coisas que eu gostaria de te dizer – ah – há momentos em que sinto que esse discurso é tão vazio – Alegra-te – Lembra-te da minha verdade, o meu único tesouro, o meu tudo como eu sou o teu. Os deuses devem-nos mandar paz… Teu fiel Ludwig”


http://super.abril.com.br/blogs/historia-sem-fim/5-cartas-de-amor-escritas-por-personagens-historicos/

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Principais Artistas e Obras da Semana de Arte Moderna

Semana da Arte Moderna



    A Semana de Arte Moderna, aconteceu em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro. Tinha como propósito renovar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música.
  Os principais escritores que fizeram parte desse movimento foram:
Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Renato de Almeida, Guilherme de Almeida e Ribeiro Couto.



ARTE DE AMAR
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


                                                                  -Manuel Bandeira